Integração do ônibus com o metrô é mais um capítulo da novela Neto X Rui

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A disputa entre Rui Costa (PT) e ACM Neto (DEM) só deveria acontecer no ano que vem, nas eleições para o governo, mas o embate já foi antecipado na polêmica pela mobilidade urbana de Salvador. O Jornal da Metrópole mostrou que a confusão começou quando a Prefeitura retirou os ônibus que passavam pelo Centro Administrativo da Bahia (CAB), após o início da operação da estação do metrô na Av. Luiz Viana Filho, a Paralela.

A briga, que se restringia ao CAB, rapidamente evoluiu para toda a integração. Entre acusações de “politização” de um lado e de outro, Rui criticou a “sanha arrecadatória” da Prefeitura com o sistema de ônibus, culpou o Município pela crise que vivem as empresas de transporte e anunciou que assumiria os coletivos de integração — ressaltando que eles terão ar condicionado, ao contrário dos ônibus da Prefeitura. A história, porém, está longe do fim.

“Não quero integração pela metade”

A prova de que o embate não termina tão cedo é que, na última quarta (21), o prefeito ACM Neto gravou um vídeo nas redes sociais defendendo o posicionamento da Prefeitura. 

“Não queremos uma integração pela metade. Não queremos obrigar as pessoas a andar com 2, 3 ônibus para só assim poder andar de metrô. E a única forma de isso acontecer é com integração plena. É garantir que o transporte do ônibus e do metrô serão uma coisa só”, falou o democrata.

Rui não quer “um centavo” do município e assume ônibus com ar-condicionado

O governo afirmou que vai assumir os ônibus que fazem a integração, que passam a contar com ar-condicionado — promessa antiga da Prefeitura. “A gente resolve. Eu não quero um real sequer do sistema de ônibus em Salvador. Para evitar polêmica, a Prefeitura fica com o sistema de ônibus dela e nós vamos ter uma alimentação própria”, afirmou. Rui ainda criticou o modelo de concessão do transporte de Salvador, feito em outorga onerosa. “Qualquer cidade do mundo com 2 milhões ou 10 milhões de habitantes tem que ter subsídio pro transporte público”, completou. Segundo Rui, o fato de as empresas precisarem pagar à Prefeitura para operarem os ônibus foi justamente o que gerou a crise no sistema — admitida pelo próprio Neto.

“Prefeitura não fez integração, fez enrolação”

Chefe da Casa Civil do Estado, Bruno Dauster não economizou críticas ao Município. “Não houve integração, houve enrolação. Em dois anos e meio, só houve integração para 5% dos passageiros”, disse. Dauster rebateu ainda a afirmação de que o metrô quebrou os ônibus. “Como que um metrô que, até um tempo atrás, transportava 85 mil passageiros por dia, pode ser responsável pelo déficit de ônibus que perdeu 2 milhões de passageiros?”.

“Questão de lógica”, diz Fábio Mota

No mesmo comunicado enviado pela Semob, Fábio Mota afirmou que o modelo de integração proposto pela Prefeitura “é uma questão de lógica”. “Queremos fazer a integração total entre os ônibus e o metrô, o que seria o ideal. E não a colocação de mais ônibus na cidade exclusivos para alimentar o sistema metroviário. Isso é uma questão de lógica”, disse o secretário. O governador, por sua vez, argumenta que a frota complementar está prevista em contrato e pode ser operada pelo estado, já que as duas partes não entraram em acordo.

Prefeitura justifica outorga

Por meio de nota, a Secretaria de Mobilidade defendeu a opção por outorga onerosa na licitação para concessão do sistema de ônibus. “Teve como objetivo possibilitar que a Prefeitura não tivesse que subsidiar o sistema de transporte por ônibus, podendo, assim, investir esses recursos nas áreas essenciais, a exemplo da saúde, educação e social”, diz o texto.

Apesar da falta de pagamento da outorga por parte das empresas, o titular da Semob, Fábio Mota, sustentou que este foi “o melhor modelo de licitação”. “Garantimos avanços importantes como a renovação da frota, implantação de módulos-conforto para os rodoviários, transporte 24 horas e o aplicativo Cittamobi”, declarou.

“Medidas apelativas” de Neto

Um importante aliado do governador afirmou à Metrópole que Neto tenta evitar que Rui cresça em popularidade em Salvador, por causa de sua intenção de concorrer ao governo em 2018. “As obras avançam, a aprovação de Rui avança — inclusive na capital —, aí ele (Neto) toma medidas rebaixadas, apelativas. Como é que tira os ônibus do CAB? Como é que ele coloca linhas na Paralela concorrentes com o metrô? Estas decisões não são de gestão. São políticas”, declarou.

O aliado de Rui ainda arriscou um palpite sobre a razão desta suposta tentativa de atrapalhar o governador. “Ele (Neto) deve ter pesquisas mostrando que a situação dele não está confortável, e ele resolveu tentar desgastar a imagem positiva que as obras do metrô vão ter”. afirmou.

Fonte: metro1
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