GAL COSTA TRAZ SHOW ESTRATOSFÉRICO PARA A CONCHA ARCÚSTICA

Depois de dois anos, o show Estratosférica, homônimo ao mais recente álbum de Gal Costa, volta a Salvador nesta sexta-feira (28), às 19h. Mas desta vez o palco é a Concha Acústica, no lugar do TCA. 

O espetáculo, apesar de levar o nome do disco, inclui também os clássicos que ficaram marcados na voz de uma das maiores intérpretes da música brasileira, como Cabelo (Arnaldo Antunes), Brasil (Cazuza), e Pérola Negra (Luiz Melodia).


As gerações mais recentes de compositores está representada nas canções de Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Criolo, entre outros. “A ideia de cantar músicas de novos compositores vem dessa galera nova que curtia o meu trabalho dos anos 70 e que conhece bem minha discografia”, diz a cantora ao CORREIO, que destaca ainda a “aura” rock’n’roll do espetáculo.

Este show que você apresenta sexta-feira esteve no TCA em  2015. Por que decidiu retornar para a Concha?

Aquele show foi no Teatro Castro Alves, para outro público. Agora é outra fase e estamos preparando a gravação do DVD, em junho. Queria muito fazer o show na Concha, afinal nunca estive aí após a reforma. O TCA é um dos melhores teatros da América do Sul, mas a Concha também é belíssima e tem um público espetacular. E a gente canta pra uma plateia que às vezes não pode pagar o ingresso do TCA.

O disco Estratosférica foi precedido por Recanto. Qual a relação entre os dois álbuns?

Recanto é um disco hermético, embora lindo, muito bonito mesmo. E o show dele fez muito sucesso em Salvador, também com a inclusão de canções de outros discos. O Estratosférica existe graças a Recanto, que era um disco eletrônico, coerente com minha passagem pelo Tropicalismo. Recanto foi um impulso para Estratosférica.

O show tem uma forte presença do rock e você canta músicas de compositores de gerações mais recentes. É para aproximá-la de um público mais jovem?

No show, eu me reaproximo do rock. É um show de rock, embora tenha um momento em que toco violão. Mas a atmosfera é rock'n'roll. Esse público novo já estava comigo. Mas na verdade a ideia de cantar músicas de novos compositores vem dessa galera nova que curtia o meu trabalho dos anos 70 e que conhece bem minha discografia. Os arranjos são sofisticados, com uma riqueza de detalhes muito grande. A aura do espetáculo é o rock, mas não o rock tradicional brasileiro. 

Você diz que ser artista é inovar, mudar. Estratosférica representa essa inovação?

Estratosférica e Recanto são discos de transição, de mudança radical. Tenho repertório bem diversificado e tenho um gosto musical muito 'aberto'. Apesar de ser muito influenciada pela bossa nova e por João Gilberto, gosto muito de rock. Gosto de Beatles e Rolling Stones. Meu trabalho é um espelho de tudo o que fiz 

No show, você toca violão na música Sim, Foi Você (Caetano Veloso, 1965). De quem foi a ideia de você tocar? Se sente à vontade com o violão?

Toco violão só em uma música e me sinto bem à vontade tocando. Em casa, eu tocava mais, mas hoje toco pouco. A ideia foi de Marcus Preto e não resisti em momento nenhum. Aliás, não resisto a desafios. Ao contrário, gosto deles e este foi mais um desafio.

A Tropicália está completando 50 anos. Que legados você vê do movimento?

O tropicalismo mudou a cara da música brasileira depois da Bossa. Trouxe instrumentos eletrônicos e nesse aspecto internacionalizou a música brasileira. Antes, era tudo acústico. Também influenciou a forma de se vestir, o comportamento... Foi uma grande revolução, tanto que os jovens de hoje se interessam muito pelo tropicalismo e uma geração nova foi influenciada pelo movimento.

Entre as cantoras contemporâneas, de quem você gosta no Brasil e fora do país?

Adoro Amy Winehouse. Gosto do jeito dela cantar: é uma branca que cantava com uma negra. Era extraordinária e sou louca por ela. Escutava e ainda escuto muito os discos dela. No Brasil, não há ninguém novo que me chame a atenção como ela.

Fonte: correio24horas
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About Ana Lúcia Leal da Silva

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