LEVANTE DO RIO JOANES: HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA DO POVO NEGRO



por Márcio Brito
O projeto "Joanes: um canto de resistência", que hoje realiza o fórum temático, mais uma das atividades do projeto, desta vez com o apoio da vereadora Luciana e da barraca da Gávea. o projeto, mais do que tratar da despoluição do rio Joanes, tem por objetivo resgatar a história de Lauro de Freitas, através do Levante do Joanes, uma marco histórico que aconteceu, às margens do rio, em 28 de fevereiro de 1814, quando escravos lutaram pela liberdade e para poder seguir sua religião. Todo ano, acontecem eventos para lembrar a data. Esse ano, em parceria com a barraca da Gávea, a vereadora Luciana sugeriu abordar a despoluição do rio Joanes durante o resgate do Levante, uma vez que a batalha dos negros aconteceu onde hoje está situado o bairro de Portão.

Hoje tem o Fórum: "Joanes: belezas e contradições", às 16h, na Unime. 


O Levante do Rio Joanes

A comunidade negra de Lauro de Freitas sempre relembra o Levante do Rio Joanes, que marcou as insurreições iniciais em busca da abolição da escravatura no Brasil. 28 de fevereiro de 1814 é uma das páginas mais sangrentas da história da cidade.

O Levante do Rio Joanes
Movimento precursor da Revolta dos Malês, 1835
Governante: Dom Marcos de Noronha e Brito – CONDE DOS ARCOS -1810-1818
Data: 28 de Fevereiro
250 rebeldes
+- 1 h duração da batalha
58 mortos
14 mortos lado adversário
4 condenados a morte e enforcados
Punições de açoites a muitos e entre estes – 4 mulheres
23 homens deportados para colônias penais em Benguela, África portuguesa
+ de duas dezenas mortas nas prisões vítimas de maus tratos. Muitos suicidas - afogaram-se no Rio Joanes ou enforcaram-se.
Os que romperam o cerco continuaram a luta fugindo para Alagoas, juntaram-se a grupos étnicos entre estes , os nagôs. Comandados por hausás , que tinha como líder um certo João, cujo título era atribuído malomi , termo advindo de haussá = Malan ou malami ( mu allim em árabe) = homem de saber e mestre religioso, esse título ostentado por João evidência a liderança muçulmana numa revolta escrava baiana.
João liderou a Revolta numa base de quilombo situada nos arredores de Salvador, tendo como agente um escravo que atendia aos brancos por nome de Francisco Cidade,que tinha relativa independência de escravo de ganho e, aproveitando-se dessa situação mantia contato com africanos do Recôncavo e Ilhas da Bahia de Todos os Santos.

O Rio Joanes, de tantas histórias, tem a sua nascente em São Francisco do Conde. No total, o rio possui cerca de 245 km de extensão de curso d´água, passando por cidades como: São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Camaçari, Lauro de Freitas, Salvador, Dias D´Ávila, Candeias e Simões Filho. 
Os principais agravos que dificultam o trajeto do rio até o oceano Atlântico são o desmatamento da mata ciliar; lançamento de esgoto doméstico e materiais de indústria e construção civil; ocupação desordenada do solo; lixo doméstico e erosão das margens, entre outros.
É preciso cuidar com carinho do Rio Joanes.

Fontes de pesquisa: O Levante do Joanes Joanes - Reis, João José: A Rebelião escrava no Brasil/A história do levantes dos Malês em 1835. P.68;
Informações dos eventos a serem realizados em 16-02-2017 - do Whatsapp - grupo 100% Portão - Vander Luis.
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