CAXUMBA (PAPEIRA) - 13 PERGUNTAS E RESPOSTAS PARA ESSA VIROSE

gland saliv

O QUE É A CAXUMBA?  É uma virose que produz uma inflamação nas glândulas salivares (vide figura). A glândula mais comumente comprometida é a Parótida, próximo à orelha. A Caxumba pode afetar uma ou ambas as glândulas, deixando a criança com o rosto inchado, redondo. Um dos nomes populares da Caxumba é “papeira” exatamente porque a criança fica “papuda”.

QUAIS OS SINTOMAS DA CAXUMBA? Como toda virose, os sintomas iniciais podem ser de febre, mal estar, dor muscular. Nada muito específico. Somente quando as glândulas salivares ficam inchadas que o diagnóstico  clínico é feito. Nem todos os casos de Caxumba acometem as glândulas salivares. Assim, é possível que uma pessoa já tenha tido Caxumba, sem saber.
A CAXUMBA É UMA DOENÇA GRAVE OU APRESENTA RISCOS? A Caxumba NÃO É UMA DOENÇA GRAVE. A maioria dos casos evoluiu sem nenhuma complicação. Dentre as complicações mais frequentes, está a orquite (inflamação dos testículos). Mas, mesmos quando ocorre a orquite, a esterilidade é uma complicação rara. Ao contrário do que se divulga, nem todo caso de orquite vai ter como consequência a esterilidade.  Apenas um percentual pequeno dos meninos com orquite poderá se tornar estéril.
QUAL O PERÍODO DE INCUBAÇÃO DA CAXUMBA? Período de incubação é o tempo que leva entre o contato com o vírus e a manifestação da doença. Na Caxumba esse período é longo, podendo se estender entre 12 e 25 dias. Na média, o período de incubação é de 16 a 18 dias. Isto é, se uma pessoa susceptível (sem imunidade específica para a Caxumba), entrar em contato com o vírus da Caxumba, a doença só vai se manifestar entre 12 e 25 dias depois. Portanto, não é imediatamente ou em poucos dias, que a doença se manifesta.
QUAL O PERÍODO DE CONTÁGIO DA CAXUMBA? Período de contágio é o tempo em que uma pessoa infectada com o vírus da Caxumba é capaz de transmitir a doença para outra pessoa. Na Caxumba, esse período pode ir de 7 dias antes até 9 dias depois do aparecimento da Parotidite (inflamação da Parótida). O período de maior infectividade (risco de contágio) é entre 1 dia antes e 5 dias após o aparecimento da Parotidite.
COMO É TRANSMITIDA A CAXUMBA? A transmissão do vírus da Caxumba se dá através do contato com a secreção respiratória de uma pessoa infectada. É importante lembrar que a transmissão pelas mãos é muito importante. Quando falamos em secreção respiratória pensamos logo em ar, ambiente fechado, tosse e espirro. O que não nos lembramos é que uma pessoa infectada pode coçar o nariz, cobrir a boca para tossir etc. transferindo o vírus pelas mãos. Por esse motivo, a lavagem das mãos (em qualquer virose) é muito importante.
COMO PREVENIR A CAXUMBA? Através da vacinação, com duas doses da vacina tríplice viral (Sarampo, Rubéola e Caxumba). A primeira dose da vacina deve ser dada aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15 meses, segundo o calendário vacinal brasileiro. A segunda dose não pode ser dada antes de 3o dias após a primeira. MULHERES GRÁVIDAS NÃO PODEM TOMAR ESTA VACINA e as mulheres em idade fértil devem esperar, ao menos, 30 dias após a vacinação para engravidar. O motivo é que a vacina tríplice viral contém o vírus atenuado da Rubéola.
QUEM DEVE RECEBER A VACINA? Todas as crianças de 12 meses devem receber as duas doses da vacina. Crianças que só tomaram uma dose, devem receber a segunda dose. Não há necessidade de recomeçar a vacinação. Basta dar a segunda dose. Adolescentes e adultos nascidos após 1957 que não foram vacinados e/ou não tiveram a Caxumba, devem ser vacinados também.
NO CASO DE UM SURTO, EXISTE A INDICAÇÃO DE UMA TERCEIRA DOSE DA VACINA? Um surto é um aumento do número de casos, sem caracterizar um epidemia. Com relação à terceira dose da vacina, não há nenhuma evidência de sua efetividade. No entanto, como a Caxumba vem produzindo surtos em vários lugares do mundo, estudos estão sendo realizados, com relação a esta terceira dose. O que se sabe é que uma terceira dose, em adolescentes, não produz efeitos colaterais significativos e, em um surto ocorrido em Nova York, há 5 anos, aparentemente reduziu o número de casos entre os que receberam este reforço adicional. Assim, as recomendações do Ministério da Saúde, do CDC de Atlanta e da OMS, ainda não recomendam, de forma sistemática a aplicação de uma terceira dose de vacina tríplice viral. Esta decisão ainda é individual, sob a orientação do pediatra. Crianças antes da adolescência, que receberam duas doses da vacina, não têm indicação de uma terceira dose. 
POR QUE UMA PESSOA VACINADA PODE CONTRAIR A CAXUMBA? O que se sabe é que nenhuma vacina possui 100% de efetividade. A efetividade da vacina contra a Caxumba é estimada em 95%, mas, diante de surtos, em diversos lugares do mundo, estão sendo realizados estudos para identificar se há uma perda da imunidade, com os anos. Isso explicaria porque os surtos acometem adolescentes. Pode ser que, após estes estudos, surja a recomendação de um reforço da vacina, na adolescência.  Por enquanto a recomendação é de duas doses.
QUAL O TRATAMENTO PARA A CAXUMBA? Como se trata de uma virose, não há tratamento específico para esta doença. O tratamento será sintomático, prescrito pelo pediatra ou médico. Como em toda virose, a criança deve ficar em repouso, até sua melhora.
QUANTO TEMPO UMA CRIANÇA COM CAXUMBA DEVE FICAR AFASTADA DA ESCOLA? O tempo mínimo recomendado é de, pelo menos, 5 dias após o início da parotidite (glândula salivar inchada). Em alguns casos, este prazo pode ser maior. A recomendação é que a criança só volte para a escola quando o pediatra a considerar apta.
NO CASO DE UM SURTO, HÁ MOTIVO PARA PÂNICO? NÃO!   O pânico, em geral, produz comportamentos irracionais e contraproducentes. O pânico costuma se instalar quando não temos informações seguras e confiáveis sobre o que está ocorrendo. Por esse motivo, boatos tendem a produzir pânico. Por outro lado, em uma situação crítica ou de ameaça, é razoável e até esperado que tenhamos uma reação de apreensão e atenção. Nosso organismos está preparado para isso e esta reação se chama de luta ou fuga. Nesse momento, ter informações ajuda muito a que possamos buscar o controle para que as nossas atitudes sejam racionais e efetivas. Como a Caxumba é uma doença benigna, com raríssimas complicações, não há motivo para alarme ou pânico. Saber que duas doses de vacina protegem a grande maioria das crianças e que, na eventualidade de uma criança contrair a doença, praticamente todas se recuperarão sem maiores consequências, deve nos ajudar a não entrar em pânico. Lembre-se que o seu pediatra é a melhor pessoa para lhe orientar. Converse com ele ou ela.
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